Sexta-feira, Setembro 15, 2006

Para tudo e para todos...


Quando eu estava em casa, sem nada pra fazer no orkut, no msn e em mais de meia dúzia de sites que eu costumo vasculhar, estive pesando em ir no site do Arnaldo Jabor. É, aquele crítico, que virou escritor, que escreve e declama suas crônicas aos sete ventos.
Li o seu livro, "Amor é Prosa, sexo é poesia" umas duas ou três vezes, sempre com o mesmo calor e com a mesma esperança de ler coisas novas (diga-se de passagem que só lendo um livro mais de uma vez, a gente descobre coisas que passaram despercebidas).
Com tudo, vi uma crônica que ele fez "Nosso macho feliz é casado consigo mesmo".. Pretensão? Acho que não!
Dando uma olhada na passagem que mais me chamo atenção, vi que o mundo anda, MESMO, complicado..

"...A mídia nos ensina que os heróis da felicidade não têm ideal algum a conquistar, a não ser eles mesmos. A felicidade virou uma autoconstrução de sucesso, de bom desempenho. O solitário feliz suga o prazer em cada flor, sem conflitos, sem dor, sem afetos profundos, mas sempre com um sorriso simpático e congelado. O herói feliz passa a idéia de que não precisa de ninguém, de que todos são objeto de seu desejo, de que todos podem ser prisioneiros de seu charme; mas ele, de ninguém. A felicidade moderna é o consumo do outro. Para o herói da mídia, o mundo é um grande pudim a ser comido, sem nada a se dar em troca. Meu homem feliz pode ter todas as mulheres, mas é casado consigo mesmo. Não pensem que estou criticando isso; estou é com inveja desta leveza de ser, dessa ligeireza. “Ligeireza” é a palavra — velocidade nas vivências e relações.
Assim como a mulher da mídia deseja ser um objeto de consumo, como um eletrodoméstico, quer ser um avião, uma “máquina” peituda, bunduda, sexy (mesmo se fingindo), também o homem da mídia deseja ser “coisa”, só que mais ativa, como uma metralhadora, uma Ferrari, um torpedo inteligente e, mais que tudo, um grande pênis voador, um passaralho superpotente, mas irresponsável e frívolo, que pousa e voa de novo, sem flacidez e sem angústias. Seu desejo é cumulativo, feito de apropriações indébitas, sem jamais incluir o prazer de ser “possuído” pelo outro. O macho brasileiro tem pavor de ser possuído por uma mulher. Não há a entrega; basta-lhe o “encaixe”. O herói macho se encaixa em heroína fêmea B e produzem uma engrenagem C, repleta de luxos e arrepios, entre lanchas e caipirinhas, entre jet-skis e BMWs, num esfuziante casamento que dura três capas de “Caras”. E, ainda por cima, atribuem uma estranha “profundidade” a esta superficialidade porque, nos tempos que correm, esse diletantismo tem o charme de ser uma sabedoria “pós-utópica”..."


O que mais me deixou incomodada foi o fato dele repetir o "O herói da mídia" ou "A mulher da mídia". Ele deixou claro que tudo está girando em torno dessa nova era de facilidades. Facilidades que encontramos quando ligamos a televisão, vamos ao supermercado, ligamos o computador e vagamos na IMENSA internet e até mesmo quando ouvimos uma música. Vai dizer que você nunca ouviu "Moreno alto, bonito e sensual. Talvez eu seja a solução dos seus problemas.. na caixa postal, amante profissional..." e blá, blá...
O homem moderno que ele descreve está tão, ou mais ligado do que qualquer um por ai. Está atrás de aperfeiçoamento, de informação que possa satisfazer os seus vários links.
Ele fala em negar, renegar e fazer todas aquelas mentiras do mundo real serem fichinha perto do seu porte de Homem do futuro. Digo homem do futuro, porque ele quer continuar assim.
Então o autor quis dizer que para ser um homem VIRIL, tem que ser o homem do futuro, tem que ser informado, viver no mundo da internet, celulares de ultima geração, tem que ser como o FAMOSO metro-sexual.. Que tem lá suas regalias.
O mundo anda tão complicado, e com essa visão, tão fácil de resolver as "complicações".
Sinceramente, as vezes eu me pego confusa com essa nova era que está surgindo, me vejo assustada em ver minha irmã de 10 anos bisbilhotando certos sites que eu nem imaginava que existia. só espero poder acompanhá-lo, pelo menos eu estou tentando.
Para ver a crônica citada no texto:
Opção de riso:
hihihi.. gostei desse blog. #)

1 Comments:

Blogger Guaracy said...

Caríssima, o Arnaldo Jabor também não tem um blog? Poderia ter incluido um link para ele.
Ps. Tava no orkut sem nada para fazer? É porque não me incluiu na sua lista...

17:15  

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